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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

AMANHECEU É NATAL




Amanhecer
Amanhecer: o mais antigo
sinal de vida sobre a Terra.
Amanhecer: ainda o mais novo
sinal de vida sobre a Terra.
Amanhecer e vida humana
se entrelaçam na mesma luz.
Carlos Drummond de Andrade

Todo ano, cada pessoa, tem pelo menos dois natais. Natal (adjetivo) é tudo o que se relaciona ao nascimento. O dia do aniversário é o dia de natal pessoal, em que cada um comemora o momento em que nasceu no planeta terra. Acho curioso, o momento em que as crianças descobrem que o dia do mês de seu aniversário é o mesmo dia em que nasceram. Pode parecer estranho, mas faça a experiência, veja como é comum crianças não terem isso de forma clara. O outro Natal (substantivo) é data simbólica do nascimento de Jesus, referência moral para a raça humana, que Bach tão bem musicou e em quem o mistério do Cristo se manifestou e sobre o amor nos ensinou.


Assim, no dia de nosso aniversário, ou natal pessoal, recebemos presentes em comemoração a mais um ano de vida. Mas porque damos e recebemos presentes no Natal, festa do nascimento de Jesus? Acredito que seja porque as conquistas de qualquer ser humano que nasce neste planeta são conquistas que pertencem a toda a humanidade. Tudo o que conseguirmos melhorar em nós mesmos, influencia todas as outras pessoas que vivem no planeta, e de certa forma nos eterniza como raça em desenvolvimento. Assim, o dia 25 de dezembro simboliza um salto evolutivo fundamental na história humana, um despertar que nos impulsiona na direção do Ser.
O filósofo, reformador social e arquiteto austríaco Rudolf Steiner, retrata em sua obra “O representante da humanidade” (vide abaixo) a figura do homem saudável. Nela, a figura de Jesus Cristo afasta com suas mãos dois seres, com a mão de cima o representante dos poderes desintegradores da humanidade e com a mão de baixo o representante dos poderes cristalizadores da humanidade. Na altura de seu coração, a figura do anjo Rafael, nome de origem hebraica que significa “Deus cura” ou “curado por Deus”. Elo entre o divino e o humano, Jesus, representante do homem são, é para toda a humanidade, sem exceção, o presente dos céus que aponta para a saúde plena e sua preservação.

O representante da humanidade
Quando damos presentes no Natal, estamos presenteando o “Jesus” que está nascendo ou que habita no interior da pessoa, no sentido de lembrar que o mistério da vida em sua brevidade pode florescer e se eternizar quando nos alinhamos aos desígnios maiores, território do desconhecido. Em suma, no natal pessoal (aniversário) presente para o corpo, no Natal de Jesus presente para o espírito.
Alguns amigos meus dizem que não é certo que Jesus nasceu neste dia e que por isso não comemoram o natal. Entretanto, a questão aqui é um pouco mais sutil, sendo o simbolismo da data soberano em relação à sua precisão no que diz respeito ao calendário humano. Presos ao determinismo dos fatos, não se permitem vivenciar o milagre da epifania, apreensão intuitiva da realidade por meio de algo simples e inesperado. De fato, o Natal enquanto festa do nascimento de Jesus, vem sendo celebrado no dia 25 de dezembro desde o século IV pela igreja do ocidente e desde o século V pela igreja do oriente. Acho que a passagem abaixo responde bem a esta dicotomia:

Um homem sussurrou: Deus fale comigo.
E um rouxinol começou a cantar
Mas o homem não ouviu.
Então o homem repetiu:
Deus fale comigo!
E um trovão ecoou nos céus
Mas o homem foi incapaz de ouvir.
O Homem olhou em volta e disse:
Deus deixe-me vê-lo
E uma estrela brilhou no céu
Mas o homem não a notou.
O homem começou a gritar:
Deus mostre-me um milagre
E uma criança nasceu
Mas o homem não sentiu o pulsar da vida.
Então o homem começou a chorar e a se desesperar:
Deus toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo...
E uma borboleta pousou suavemente
Em seu ombro
O homem espantou a borboleta com a mão e desiludido
Continuou o seu caminho triste, sozinho e com medo.
           
Finalmente lhe pergunto: você já viu festa de aniversário para pessoas que morreram? Comemorar o Natal é justamente lembrar o mistério do nascimento d’Aquele que permanece e aponta o caminho para a plenitude.
Para quem pensa diferente, note que a respiração tem dois movimentos, um para dentro e outro para fora. Para dentro o ar é preso e para fora é solto. A vida é pulsação e querer compreender (inspirar) sem se desprender (expirar) é se fechar para o milagre das possibilidades; é acreditar que a evolução termina no humano e que o divino é o sonho dos insanos.
Para aqueles que ainda conseguem vislumbrar o divino que habita o humano, Pina Bausch nos presenteia com a “Dança dos espíritos abençoados”, fragmento da Ópera Orfeu e Eurídice (abaixo). Vale observar a semelhança da história de Orfeu em sua tentativa fracassada de resgatar sua amada Eurídice das garras do submundo, pois não é disso que se trata a história do Cristo em relação à humanidade? 


Se tudo correr bem,
neste Natal estarei em Belém,
levo em meu coração os que lá gostariam de estar também.
Bom Natal!

sábado, 10 de dezembro de 2011

OS VOTOS (SÉRGIO JOCKYMANN)


Sobre o autor: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Jockymann
Fonte: Folha da Tarde – Porto Alegre – 30 de Dezembro de 1978
(extraído do jornal escaneado presente no Blog de Emílio Pacheco)


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL OU PRESÉPIO?



      Todo aniversário é natal, aniversário é sinônimo de natalício, dia do nascimento. Entretanto, o natal ficou fortemente associado à figura de Jesus Cristo, representante do humano avançado que nasceu entre nós, creio eu, para nos lembrar o que naquele tempo já estava sendo esquecido: que A FAMÍLIA É HUMANA. No outro extremo, Noel, senhor de idade que desperta compaixão e que se veste de vermelho, a cor do desejo, do sangue e da paixão!
Mas é possível juntarmos paixão com compaixão?
É possível harmonizar inclusão com exclusão?

VEJA: ORAÇÃO AO PAPAI NOEL
      Pois é assim que podemos nos confundir, com pequenas coisas que anestesiam a percepção justamente por mexerem diretamente com a emoção. Mas como lembrar isso em uma época que os desejos pessoais do natal se sobrepõem a qualquer possibilidade de olhar para o outro? Como incluir o outro em nossas vidas sem que não percamos o rumo? Dentre todos os atributos humanos conhecidos, o mais inclusivo e menos exclusivo é o amor.
Tolstói conta uma bela história sobre isso, em que dois anciãos que combinaram uma viagem a Jerusalém se separam durante o percurso, pois um deles sempre ia em auxílio de alguém que lhe requisitava ajuda (Onde existe amor, Deus ai está – Ed. Verus 2001). O outro, absolutamente focado no objetivo final, rapidamente conclui a viagem e retorna ao lar. Ao se reencontrarem, o primeiro diz não ter chegado a concluir a viagem, mas também se diz transformado pelas suas experiências. O segundo desiludido, apesar do objetivo alcançado, retorna desgostoso com o passeio. Muitas vezes a viagem é o caminho e não a chegada. A agitação do mundo moderno, nega o caminho em favor da idéia de conquistas futuras, chegadas, que afastam as pessoas do viver essencial e da realização na simplicidade. Finalmente, esta dificuldade em perceber armadilhas, às vezes sutis, se manifesta em insatisfação e inquietude que terminam minando a própria vitalidade e se transformando em doenças.
      Todo natal é oportunidade de renascimento, de despertar para algo que está adormecido. Não é possível entrar em contato com o outro quando se está adormecido, daí a importância de acordar para si, lembrar de si e então buscar caminhar ao lado do outro. Quando acordamos, ficamos mais conscientes, podemos ser mais úteis para o outro e para nós mesmos.
Olhar e observar o céu na época de natal é algo muito especial. No hemisfério norte (solstício de inverno; frio extremo, filmes com neve etc.), na época de natal, devido à inclinação do eixo terrestre os raios de sol tocam a terra com diferente angulação em relação ao hemisfério sul (solstício de verão; calor extremo). A própria natureza, no simbolismo do solstício, com a aparente reversão do curso solar, convida a vivenciarmos o natal como momento de mudança e quem sabe de reflexão quanto a tudo o que temos escolhido até então. Simbólico não? Maravilhoso é poder observar no decorrer o ano, pela janela de casa, o deslocamento do pôr do sol no horizonte, desde o inverno até o verão e vice-versa. Observar causa uma vívida impressão da ligação entre nós e o que habita ao nosso redor.
Acho, além de belo, curiosíssimo o fato de em pleno verão, enfeitar-se a cidade com adornos típicos das regiões frias do hemisfério norte! Ainda mais me surpreende ver a cada ano, menos presépios e mais daqueles papais vermelhos que mais lembram avós dispostos a tudo pelos seus netinhos. Ambos, simbolismos que podem conviver e eventualmente se complementarem, quem sabe, um de fora para dentro e outro de dentro para fora. Também me é curioso e surpreendente o fato de não serem Reis Magos que presenteiam as crianças. Às vezes me pego a pensar, como se sentiria uma criança presenteada por um Rei Mago, seria o mesmo que pelo simpático e obeso senhor de barbas brancas? Fica aqui esta minha não “sabença” aos Baltazares, Belchiores e Gaspares... 

Reis Magos - Pórtico cidade de Natal - RN
      Mas, parece que aos poucos estamos cada vez mais virtuais, cada vez mais programando a vida a partir das necessidades de quem nos paga o salário. Não importa mais gostar ou não do que se faz, o homem está obsoleto, não consegue mais processar informações. Desde pequenas as crianças diante do videogame têm de tomar decisões rápidas e vivem, diariamente, a frustração de não superarem a máquina. Alguns já sonham com o download do próprio cérebro num novíssimo e atualizado corpo humano virtual capaz de viver a partir dos desejos e sonhos do outro. Fundamental então parar e lembrar as palavras do sábio Inácio de Loyola:
"Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente”.
Um passo importante no sentido de se desprender minimamente do denso tecido ilusório que nos envolve, talvez possa ser o de se perceber enquanto membro da grande família humana. Toda grande caminhada começa com um passo, mas esse passo em especial não é tão elementar. As atitudes pessoais naturalmente passam por um tipo de refinamento quando se percebe a família em cada pessoa que se encontra no dia a dia. Mas na mesma proporção desse refinamento ocorre uma libertação pessoal de muitas situações e contextos que deixam de existir pela simples mudança na forma de encará-los.
Daí a importância de lembrar que somos SERES humanos e não TERES humanos! Quem se reconhece no ter, geralmente é presa das convenções, da moda e do que os outros podem pensar. Essas pessoas correm o sério risco de não viver, mas apenas existir. Para viver, é preciso SER, fato que exige sacrifícios, esforço e dedicação para que a musculatura moral se fortifique de modo a preencher o tecido interior e permita manifestar a essência (perfume) única que cada pessoa traz em si.
Ser e ter andam de mãos dadas com a graça e a desgraça. O reino da graça é morada dos que são. Quando a natureza do “ser” é bem desenvolvida, existe “espaço” interior para que a graça seja vivenciada. Apesar de todos nós sermos transpassados pela graça a todo o momento, só é possível palpá-la quando se cria um espaço interior de receptividade. Este espaço diz respeito ao “ser” e é semelhante àquele que o “ter” permite quando se compra um terreno, uma casa ou qualquer outro tipo de propriedade do mundo físico. O afastamento do reino da graça enfraquece e predispõe ao adoecer, visto que vitalidade e graça andam juntas.
O dom supremo - sobre a graça e a gratidão

Do mesmo modo que os anticorpos do sangue protegem, os “anticorpos” do perdão promovem saúde e os “anticorpos” da alegria promovem harmonia. Por outro lado, medo e apego desvitalizam, isolam, deprimem e causam ansiedade. Assim, o desgraçado, ou seja, o que vive fora do estado de graça, é adepto, muitas vezes inconsciente, deste tipo de escolhas. Nesse sentido, deve sempre ser respeitado, visto ser comum que o próprio sofrimento oriundo de experiências desagradáveis, seja o antídoto para uma possível mudança de rumo, agora quem sabe na direção da graça.
E para você: quanto deste momento é papai noel e quanto é presépio? A relação presépio x papai noel em cada pessoa guarda a medida justa de sua humana capacidade de renascer, perdoar e amar. Qualidades íntimas ao espírito natalino e inerentes ao ser saudável e consciente.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PÍLULA DE SAÚDE PARA OS PAIS II



O AMOR (K. GIBRAN)


FILHOS

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e filhas do desejo da Vida para com ela.

Eles vêm através de vós mas não de vós.

Não obstante estarem convosco eles não vos pertencem.

Vós podeis dar-lhes o vosso amor mas não vossos pensamentos,

Por terem eles pensamento próprio.

Podereis abrigar seus corpos mas não suas almas,

Pois suas almas residem na morada do amanhã, a qual vós não podeis visitar nem sequer em vossos sonhos.

Vós podeis tentar ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós.

Devido a vida não retroceder nem demorar no Ontem.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos como flechas vivas são projetados adiante.

O Arqueiro mira o alvo na rota do infinito, e Ele vos estica com a Sua força, de maneira que as flechas possam projetar-se ligeiro e longe.

Deixai-vos dobrar nas mãos do Arqueiro com alegria;

Precisamente como Ele ama a flecha que voa, Ele também ama o arco estável.

(Kahlil Gibran)


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O MAPA DO TESOURO...


POR: REGINA POCAY
 
Dardo, arco e flecha, zarabatana e tantos outros, são considerados jogos de precisão. Vence quem acerta o alvo, quem tem olhos de águia, técnica apurada, entre outras características.
Mas será que os vencedores nasceram com este dom? Aliás, será que isto é dom?
Quando um campeão faz algo excepcional, se diz: “Nossa, essa pessoa tem o dom. E se é famosa pelo que faz: “Que sorte ela tem... encontrou o mapa da mina de ouro... ou já encontrou o seu tesouro.”
Em certa ocasião participei da organização de um campeonato mundial de tiro, no treinamento do staff, onde acompanhei a maratona de treino dos atiradores ao se prepararem para a competição. Estavam presentes grandes atiradores do mundo todo. Fiquei impressionada com a capacidade e a habilidade de cada um. Realmente é um espetáculo que prende a atenção, por isso, digno de aplausos.
Nos bastidores tive a grata satisfação de conversar com um dos competidores que me falou um pouco da rotina de treino e foi interessante perceber que a ferramenta mais importante, que todos os atiradores carregam consigo, é a determinação em fazer melhor a cada dia, em superar seus próprios limites. Eles treinam horas seguidas, todos os dias, ou seja, seguem uma rotina rígida para atingir o objetivo, no caso deles, podemos dizer, para atingir o alvo.
Em nossa conversa, algo, em especial chamou-me a atenção; ele me disse que todo o esforço para a competição está, num contexto coletivo, em apresentar o melhor campeonato para o público, ou seja, eles estão lá também pelo prêmio (objetivo individual), mas não é o mais importante. Segundo suas palavras o prêmio só vale a pena se a apresentação para o público (objetivo coletivo) for perfeita, pois sem público, não haveria tantos incentivos para competir, portanto sem incentivos para competir, talvez não houvesse nem competidores, e sem competidores não haveria graça nenhuma em jogar sozinho.
A fala daquele competidor fez todo sentido. Pense numa corrida de Fórmula I sem público; os corredores, sem suas torcidas, talvez não se sentissem tão motivados a correr, desistindo um a um, de forma que, se sobrasse apenas um corredor, e este não tendo com quem competir, provavelmente não teria motivo para correr. Desta forma não teríamos hoje, o espetáculo dos grandes prêmios que assistimos aos finais de semana.
Menciono estes exemplos a fim de fazer uma analogia ao dia a dia de cada um de nós. Pois é certo afirmar que, dentro da perspectiva individual, todos temos, ou pelo menos, deveríamos ter objetivos; e no caso das competições como jogos de precisão ou corridas de fórmula I, os objetivos individuais envolvem grandes incentivos financeiros, mas é no espetáculo do coletivo que o grande show acontece. Então precisamos uns dos outros !!!  
E a pergunta é: Será que estamos preparados para isto? Será que estamos focados naquilo que realmente importa?

“Dai a cada um segundo suas obras” – (Mt 16-27)

Realizar é verbo que envolve ação, portanto implica em fazer algo para que o seu objetivo se concretize, ou seja, se quer realizar algo, tem que necessariamente agir, sair da zona de conforto, ter foco, determinação, ter um objetivo em mente, cercar-se das pessoas certas e segui-lo para acertar o alvo. Significa, portanto, fazer uma análise criteriosa de onde você está (seu estado atual) para determinar o caminho a ser percorrido até onde você quer chegar (seu estado almejado). Existe um processo valioso de 10 passos para atingir objetivos. Compartilho...

Sugiro fazer isto por escrito.
1 – Faça uma avaliação sincera de onde você está hoje (o seu estado atual)
2 – Reflita sobre onde você quer chegar (o seu estado desejado)
3 – Pergunte-se: como saberei que atingi o objetivo? Quais evidências me comprovarão isto?
4 – Em que contexto você quer que aconteça? Onde, quando, com quem?...
5 – Como este objetivo afetará sua vida? O que será somado, o que será subtraído?
6 – O que hoje impede de já ter acontecido?
7 – Quais recursos já possui e quais ainda necessita para atingir seu objetivo?
8 – Quais as objeções possíveis? Como pode lidar com elas de forma proativa?
9 – Partindo para a ação: Qual o primeiro passo (visão)?
10 – Qual a seqüência de ações a serem realizadas (ação)?

Ouvindo o relato de várias pessoas, lendo livros e ainda estudando a tendência comportamental atual, percebo existir um grande contingente de pessoas em busca de objetivos, mas muitas desistem no caminho, alegando que, apesar de todo esforço, apesar de seguir critérios, planejar, nada acontece. Muitas dizem: “Não é possível, o mundo conspira contra meus planos.”
Existe, no entanto, um fator que contribui de forma determinante para se conseguir alcançar objetivos com êxito. É um fator, aliás, muito antigo, extremamente valioso, mas pouco utilizado, ou melhor, utilizado por poucos!!! E se você quer realmente usufruir deste fator... coloque-se à disposição. O que isto significa?
Alteridade é a palavra de ordem. Significa: capacidade genuína de se colocar no lugar do outro, fazer algo pelo outro e para o outro. Afinal de contas vivemos em sociedade, ninguém consegue viver absolutamente só. Sentimo-nos felizes, ou pelo menos deveríamos nos sentir, quando podemos fazer algo para alguém... este é o princípio da alteridade!!!
Você recebe do mundo exatamente aquilo que oferece ao mundo. Pense sobre isto!!!
À medida que compreendermos este simples fator, na mesma proporção começamos a perceber e a usufruir da grande mudança em nossa vida pessoal, profissional, emocional, relacional... enfim... EXPERIMENTE!!! 
Saia agora da sua zona de conforto, convide pessoas para fazer parte de sua vida, coloque-se à disposição, compartilhe o mapa do tesouro para que, ao lado das pessoas que ama, encontre toda riqueza contida dentro deste grande baú, que é a vida.
A propósito. Você sabe qual é o tesouro?
O tesouro ao qual me refiro é a GRATIDÃO, que traz consigo o AMOR, que é a chave que abre o baú; desta forma, o mapa do tesouro, são as pessoas que você  envolve no seu processo de busca, sejam elas do seu convívio pessoal ou profissional, aliás, é dentro das empresas, no nosso trabalho onde passamos a maior parte do tempo, e onde precisamos conviver de forma proativa, para que todos tenham êxito.
Gratidão, portanto, é um sentimento que envolve o coletivo, mas começa sempre no individual, ou seja, à partir de você!!!
PRATIQUE ...

EDUARDO GALEANO


POR MÁRIO INGLESI
Sobre o texto "El Derecho al Delirio": http://saudeconsciencia.blogspot.com/2011/09/vaidade.html
O belo texto do ilustre escritor Eduardo Galeano reporta-se essencialmente a uma sociedade ideal, onde vigora, como primazia, o bem-estar social da humanidade. Com isso, ele não apenas sonhou como idealizou um outro mundo, menos complexo e mais habitável que o nosso.
Tal idealização, embora designada utopia, é bastante real e por demais interessante, uma vez que aponta caminhos e põe o dedo em algumas feridas, cuja existência não nos dignificam.
Esse direito de sonhar do autor já se manifestou em tempos não muito distantes, deveras comum e muito inspirador. Se acabou ou se restringiu, não faz mal, pois sua capacidade de recriação, sempre bem-vinda, é surpreendente.
Em se tratando do escritor Eduardo Galeano, a configuração da utopia lado a lado com a vaidade não é de modo a apresentar-se correta, principalmente atendendo a atuação do autor e seus escritos durante mais de meio século, sem qualquer vislumbre de vaidade intrínseca.
Afora, isso é preciso convir que sonhar não se restringe a um direito, - talvez por isso não se inclua entre os Direitos Humanos - ele é inerente ao ser humano. Assim, não é preciso dormir para sonhar. Melhor aliás, é estar bem acordado e sonhar: ir a instâncias, lugares e alturas inimagináveis, sem escadas, sem aviões, sem foguetes ou quaisquer outras parafernálias que existem ou existirão. A vida é sonho. É imaginação.   Enfim, Sonhar é Viver. Não há como fugir disso. Triste e enfadonha seria a vida sem sonho, sem vislumbres, atuais ou futuros, sem os acordes sonoros musicais que embalam sonhos dourados, com cadências e ritmos os mais diversas. Nossos sonhos são, em última instância nossos amores. Não esqueçamos que a realidade é pobre, é limitada, é medíocre. O ser humano criou, e ainda cria em ascendência contínua “Arte”, como maneira infinita de ver, de idealizar, de propagar, de comunicar e, mais que tudo, de expor sonhos em sua inteireza de formas, conteúdos, de beleza, de sentimentos, de evocação, de reflexão e, mais ainda, de diversificação.
Sonhar não tem parâmetros – que o diga Lewis Carrol, James Joyce, Machado de Assis, Borges (escritores) ou Akira Kurosawa, Glauber Rocha, Wim Wenders, Fellini (cineastas) e muitos, muitos outros, em atividades as mais diversas, da arte – não exige lugar determinado, nem hora aprazada, não requer regras, nem projetos. Por vezes, até, requer apenas um livro aberto, uma “tela grande”, uma nota musical, uma mente aberta, um poetar silencioso, um estar só ou acompanhado. E, na maioria das vezes, é preciso somente o acionar da imaginação para o lúdico, o agradável, o prazeroso. – tal como as crianças em seus jogos infantis.
E tem mais, sonhar é nutrir a ciência a novos parâmetros de descobertas e conquistas, é alçar o universo a novos patamares de desenvolvimento e riqueza, é romper barreiras, é prezar a “loucura” para transpor obstáculos e enfrentar os riscos que se deparam em nosso caminhar diuturno e constante pela vida afora.
E finalmente, não se deve esquecer a primazia de que sonhar se apresenta também como arcabouço em favor da saúde, em toda a sua plenitude.
Portanto sonhar não precisa de muito, basta apenas pouca coisa, como se refere o poema abaixo, quiçá, tão somente estar aberto ao mundo ou mesmo fechar os olhos, ou talvez nem isso.

* Conheço muitos que por aí correm
com uma lista do que necessitam.
Quem chega a ver a lista diz: - É Muita coisa.
Quem escreveu, porém diz: - Isto é o mínimo!

Já muitos mostram com orgulho a lista deles
Com muito pouca coisa.

* Poema "Lista das Necessidades", de Bertolt Brecht, do livro Poemas e Canções, tradução de Geir Campos, ed. Civilização Brasileira, 1966.

É isso aí, sonhar, em qualquer instância, é viajar como num tapete mágico.  É conhecer a magia da vida, com uma liberdade e amor infinitos.
Abraços fraternais, acompanhados de muitos sonhos sempre bem-vindos.
Mário Inglesi 17/10/2011

AINDA SOBRE SAÚDE E POLÍTICA


Caro Dr. Ricardo

O texto envolvendo a saúde da política e dos políticos mostra-se realmente pertinente em suas reflexões e bastante oportuno em sua abordagem. Como bem  salientou o periódico espanhol El Pais causa estranheza que no Brasil não haja indignados.
Se houver, entretanto, o foco mais adequado e melhor sobre o porquê disso,  verificar-se-à que tal ausência tem sua razão de ser, mormente em se tratando do nosso País.
Por ocasião da guerra fria, (USA x URSS)  o  extremismo ideológico separou  em dois blocos: o capitalista (pró USA)  e o socialista (pró URSS) o comportamento dos povos. Isso levou-os  também a dividir-se em “direita”, com  uma concepção de Estado autoritária e criticamente denominada conservadora, e “esquerda” também de concepção de Estado, também autoritária, mas com vistas à igualdade social dos  povos.
Essa dicotomia levou às ruas a quase totalidade da população, no embate por um dos dois lados, na aclamação e defesa das “utopias sociais” que, então, cada lado apresentava.
No Brasil, e, em demais países da América Latina, essas utopias, reconheça-se – deveras simplistas – acabou diferentemente da Europa – dando origem, a golpes de estado e, concomitantemente à implantação de regimes ditatoriais dos mais ferrenhos, pondo por terra, de maneira ampla e com todo o extremismo brutal e cruel - O Estado de Direito - e as liberdades de manifestação e de pensamento.
                     “.............
                     (*) Ninguém ouve cantar canções
                     Ninguém passa mais brincando feliz
                     E nos corações
                     Saudades e cinzas foi o que restou.
                     Pelas ruas o que se vê
                     É uma gente que nem se vê
                     Que nem se sorri, se beija e se abraça
                     E sai caminhando
                     Dançando e  cantando cantigas de amor
                    
                     E no entanto é preciso cantar
                     Mais que nunca é preciso cantar
                     É preciso cantar e alegrar a cidade…

                     A tristeza que a gente tem
                     Qualquer dia vai se acabar
                     Todos vão sorrir, voltou a esperança
                     É o povo que dança
                     Contente da vida, feliz a cantar.”
  
Com o decorrer do tempo, o fim da guerra fria, com o esfacelamento da URSS e, em 1989, com a Queda do Muro de Berlim, as utopias sociais então em voga, no Brasil, perderam sentido. E, portanto, a luta restringiu-se tão somente à volta do Estado de Direito e suas instituições.
                     Afinal:
                     na garganta.
                     Apenas um nó,
                     A anistia.
                     No pacote:
                     Torturados e torturadores.

                     Na boca,
                     Um grito parado no ar.
                     Na memória
                     Um baú de ossos

De lá  para cá, tudo se resumiu, apenas em retirar os entulhos, pois os males e mazelas, de modo geral, permaneceram e ainda permanecem neste século 21, com um agravante: as utopias passarem a ser apenas “individuais”, representadas por  reivindicações no mundo do TER, como: bem estar, luxo e riqueza, status, etc. etc, sem precisar ir às ruas em passeatas reivindicatórias.
Essa reviravolta atingiu fortemente a saúde, (estresses, depressão, angústias, infartos, AVCs) bem como a política, que passou a ser coisa atinente apenas a políticos e  ao seu agir.
A participação popular resumiu-se a reivindicações de classe por melhores salários e ao voto, que, por ser obrigatório, dispensa melhor qualificação do candidato, em sua escolha partidária e populacional.
Mesmo assim, em alguns casos, como o da classe dos professores, a luta reivindicatória manifesta-se de duração inoperante, pois, a classe é vista e considerada improdutiva, por não produzir bens materiais e, portanto diferente da classe operária. 
Além disso, o candidato à politica em qualquer cargo hoje é talhado por marqueteiros e seu blá,blá,blá, e de seus partidos, no horário político (credo em cruz, que massada!) restringe-se a meras questões imediatas, pois tanto ele como seu partido não oferecem qualquer plano ou meta de governo. Assim, quando eleito não há muito o que cobrar dele (ou deles), pois tudo corre ao sabor do vento, do acaso, para qualquer posicionamento em favor do eleitorado.
Diante de toda essa situação, não vigora o “não soluce, solucione”, e sim, “laissez faire laissez passer”, le monde va de lui meme.
Mudar esse imenso processo de despolitização, de descrença, de abstenção, exige um esforço hercúleo, sem muitos resultados práticos imediatos. Mas, vale a pena iniciar e insistir, como faz a sempre bem vinda coluna “Saúde é Consciência.”
Portanto, caro doutor, vale os  aplausos, assim como os méritos pela iniciativa. Afinal, é justo reiterar:
“Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.”
(Fernando Pessoa)

(**)E cantarolar:
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor  para dar de que a gente nem sabe…

Abraços afetuosos do seu leitor e amigo

Mário Inglesi 22/08/2011

(*) e (**) Marcha da Quarta Feira de Cinzas.
(De Vinícius de Moraes, com música de Carlos Lyra)

PREVENINDO O PACIENTE DO "MÉDICO" - PARTE IV


POR MÁRIO INGLESI 
Sobre os textos:

 
Dr. Ricardo

A figura do médico desde sempre se apresentou como mítica, toda poderosa, dona do poder de minorar e tirar as dores, que perpassam de maneiras várias e, atingem os seres humanos deste planeta Terra.
Essa imagem só cresceu com o correr dos tempos, principalmente com o advento dos transplantes, da clonagem e, muito particularmente, em razão das cirurgias plásticas não apenas de correção, mas em favor da estética, primordialmente. A partir daí, ela alcançou o estrelato midiático.
Afora isso, tal figura também sofreu revezes, chegando até recentemente a cair como escolha profissional, talvez em função, do advento de novas áreas profissionais menos trabalhosas e menos ainda, desgastantes física e psicologicamente.
A relação entre médico e paciente sempre se traduz num emaranhado de queixas, aflições e agonias, de confiança total e, até desconfianças, ainda que tênues, que se configuram como enigmas a serem decifrados em prol de um diagnóstico falível de erros e acertos. Por sua vez, o diagnóstico vem a requerer o aviamento de receitas, cuja maior dificuldade é saber, realmente se o paciente terá consciência necessária para administrá-la como lhe manda a prescrição, o bom senso, e lhe pede a própria cura almejada.
Tal enigma que perpassa a relação, induz preliminarmente ao médico o diagnóstico infalível: “Médico, cura-te a ti mesmo”.
Isto nos faz reportar ao poema de Manuel Bandeira:

Pneumotórax

Febre, Hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi
Tosse, tosse tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três… trinta e três… trinta e três...
- Respire.
...........................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

O curioso, neste poema, publicado, juntamente com outros, sob o titulo de Libertinagem, em 1930, é que, apesar do disparatado diagnóstico médico nele contido, o poeta Manuel Bandeira, tuberculoso desde 1904, viveu até 1968, vindo a falecer somente aos 82 anos.
Dentro desse arcabouço, se o paciente deve prevenir-se contra o médico a recíproca também é verdadeira, afinal, tudo começa com uma simples e, muitas vezes, esdrúxula narrativa do paciente, a respeito de sintomas genéricos, mal concatenados e nem sempre bem localizados.
Em socorro ao diagnosticado, felizmente advieram os exames laboratoriais, trazendo provas concludentes não só da doença como de sua precisa localização e estado.
É óbvio, como diz o poeta Mário Quintana: “Cuide-se, pois a sua saúde e sua vida dependem de suas escolhas!!!”
Hoje, o que há, em escala cada vez mais crescente, são os excessos de intervenção diagnóstica e terapêutica e medicalização desnecessária. É, contra isso, que se predispõe a prevenção focalizada, ora chamada de quaternária.
Esses excessos distorcivos têm sua abrangência tão funda que vem atingindo médicos, pacientes e recursos financeiros com uma intensidade inimaginável. Os pacientes encontram-se em pânico e, para previamente saberem se terão as tais doenças terminais, ou serão passíveis de tê-las, para preveni-las ou evitá–las se submetem a baterias de exames desnecessários, a procedimentos cirúrgicos que, na maioria das vezes, lhes acarretam problemas ainda maiores e quase sempre dolorosos, quando não desproporcionais. A tais excessos alia-se a intervenção dos médicos por pressão e medo, que pacientes lhes impingem no contato de sua vida profissional.
O que mais chama a atenção a esses excessos, é o fato primário da efemeridade da vida, como, aliás, observou Millôr Fernandes, em uma de suas boas tiradas: “Em carros, barcos, trens, ou aviões, somos todos passageiros”
Desse modo, porque tanto alarde, tanta preocupação com precauções esdrúxulas, supérfluas e inadequadas? O melhor mesmo é voltar suas armas para o que realmente proporciona ou causa doenças sem fim, piores ou iguais das quais pretende safar-se, como a poluição, o fumo, a bebida, a má alimentação, o estresse advindo do trabalho, do trânsito e da própria vida mal vivida em torno do alcance de status, fama, veleidades mil, que nada acrescentam ao seu mundo do ser.
No entanto, contra tais vilões da saúde muito pouco se faz. Parece haver uma anestesia geral, envolvendo e interferindo na visão das pessoas no que diz respeito à realidade, sem lentes ou filtros, mas com a força de um pensar profundo e eficaz, sem as amarras de preconceitos e ilusões fictícias.
Esse pensar deve abranger os profissionais da saúde, para que sejam evitados procedimentos de rastreamento inócuos ou desnecessários, bem como exames complementares em excesso a fim de que seus pacientes não lidem com expectativas vãs de estar cuidando da saúde e evitando quaisquer males subjacentes.
Torna-se imperativo, ainda, a consciência fundamental de cada ser humano em si mesmo, sem generalizações abstratas. O apego dos pacientes a medos, culpas ou hábitos arraigados não devem ser subestimados em se tratando da saúde.
Felizmente, a “prevenção quaternária” chega em boa hora para aprimorar a medicina em voga e ajudá-la com critérios e propostas para o manejo dos excessos e obviamente para salvaguarda do paciente e sua saúde.
E torcer para que não se faça uma “Revolta Contra os Médicos” por oposição à “prevenção quaternária”. Haja vista que se “a unanimidade é burra” “a parcialidade é desonesta”, como se viu na “Revolta da Vacina” insuflada no início do século 20, por interesses escusos e boataria descabida.
Com tudo isso, só nos resta com as mãos espalmadas, agradecer aos céus por termos uma ciência médica ainda em plena evolução, com o objetivo primário de por a salvo a nossa saúde, através da conquista de um melhor intercâmbio interativo entre médico e paciente, em sua totalidade humanitária.
Abraço desmesurado
Mário Inglesi 31.10.2011.