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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A TEORIA DO AMOR - PÍLULA DE CONSCIÊNCIA

Fragmento do livro: A arte de amar (1956) - Erich Fromm



Na sociedade capitalista contemporânea, o significado da igualdade passou por muitas transformações. Por igualdade, entende-se a igualdade dos robôs, a igualdade de homens que perderam sua individualidade. Igualdade significa hoje “uniformidade”, em vez de “unidade”. É a uniformidade das abstrações, dos homens que trabalham nos mesmos empregos, que têm as mesmas diversões, que lêem os mesmos jornais, que têm os mesmos sentimentos e as mesmas idéias. É por isso que devemos encarar com certo ceticismo algumas realizações que costumam ser celebradas como sinais de nosso progresso, como a igualdade das mulheres. Nem é preciso dizer que não estou falando contra a igualdade das mulheres; mas os aspectos positivos dessa tendência à igualdade não devem nos enganar. Ela vai no sentido da eliminação das diferenças. A igualdade tem seu preço: as mulheres são iguais porque não são mais diferentes. A posição da filosofia iluminista, l’âme n’a pas de sexe, a alma não tem sexo, tornou-se a prática geral. A polaridade dos sexos está desaparecendo e, com ela o amor erótico, que se baseia nessa polaridade. Os homens e as mulheres tornam-se a mesma coisa, em vez de serem iguais como os pólos opostos. A sociedade contemporânea prega esse ideal da igualdade não individualizada por que necessita de átomos humanos, cada um idêntico ao outro, para fazê-los funcionar em massa, suavemente, sem atrito. Todos obedecendo aos mesmos comandos, embora todos estejam convencidos de que estão seguindo seus próprios desejos. Do mesmo modo que a moderna produção em massa requer a padronização das mercadorias, o processo social também requer a padronização do homem, e sua padronização é chamada de “igualdade”.

 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

METÁFORAS E METONÍMIAS...


Uma pérola anônima que circula pela rede...

Chutando o balde
 
Pergunta:
Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos”?

Resposta:
Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco…
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.
Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Respondido?


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

OLHARES E PENSARES

POR MARIA INEZ DE ALMEIDA LEME GUIMARÃES (PSICOLOGIA E SAÚDE)
(marinezleme@hotmail.com)




O que leva tanta gente a ameaçar a vida dos primeiros?

"Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem."
Leonardo da Vinci

"Não te esqueças que por mais distante e escondido que esteja o matadouro, tu, que comes carne, sempre serás seu cúmplice.”
Ralph Waldo Emerson

"A compaixão para com os animais é uma das mais nobres virtudes da natureza humana. Não há diferenças fundamentais entre os homens e os animais: eles, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento."
Charles Darwin

"Amai a todo ser vivente e pacificai vossos espíritos, deixando de matar e comer animais; eis aí a verdadeira prova da religiosidade, pois o verdadeiro sábio e homem de Deus não só não matará nem comerá nenhuma criatura, senão que amará e conservará a vida em todas as suas manifestações."
Buda

"Ao matar animais para alimentar-se, o homem limita desnecessariamente sua capacidade espiritual, sua simpatia e piedade com as criaturas vivas como ele mesmo e, por violar seus próprios sentimentos, torna-se cruel."
León Tolstoi

"Para produzir meio quilo de carne de vaca, precisamos, por exemplo, de um pouco menos que 5 quilos de cereais. Essas circunstâncias lançam uma luz realmente expressiva sobre a situação mundial dos nutrientes: se as mesmas áreas plantadas com forragem para os bovinos e os suínos, que são criados por causa de sua carne, fossem transformadas em áreas de cultivo de cereais e verduras para a nutrição humana, isto seria suficiente para nutrir a humanidade do mundo inteiro!"
Otto Wolff



 O valor da vida aos olhos da criança

Deixai vir a mim as crianças, pois delas é o reino de Deus.

Qualquer que não receba o reino como criança, não entrará nele.

Tomando-as nos braços, as abençoou.

Marcos 10:14-16



sábado, 11 de fevereiro de 2012

A DIVINA FUMAÇA


POR MÁRIO INGLESI
Meu caro amigo
Outro dia, numa visão panorâmica em seu “Blog” deparei-me com a postagem, na Sessão de Saúde é Consciência, de um texto sob o título de “Força de Vontade e as Drogas”.

Apesar do interesse pelo assunto, minha incredulidade – desculpe – foi mais forte. Creio que, no caso do cigarro, o querer, ainda que com muita vontade, não se apresenta suficiente para largar o vício. Aliás, me fez lembrar o tal “Sorria, você está sendo filmado” ou o famoso “Pensamento Positivo”. Ir ao supermercado ou a um shopping, a tantas horas do dia ou da noite, por obrigação ou cumprimento de um dever quase cívico, realmente não dá para “sorrir”, nem por prazer nem para atender a um mero pedido incongruente. No caso do ”pensamento positivo” ainda é pior. Como, em estando na rua, livrar-se de uma bala perdida, num mero tiroteio entre policiais e bandidos?

No caso da “Força de Vontade” para largar o fumo, afigura-se como uma mera força de expressão. Se há realmente um vício que induz ao prazer e crises de abstinência que levam a alterações comportamentais, como sugerir-se ”Força de Vontade”? Manifesta-se, realmente, apenas uma “frase de efeito”, cuja aplicabilidade e resultado são inócuos se não despropositados. Entretanto, - quem sabe - em caso de iniciantes ao fumo, ela tenha alguma validade?
 
Bem. Mas este não deve ser o foco da atenção primária.


O que é preciso rever com urgência é a situação atual dos pobres e sofridos fumantes, inveterados ou não. Hoje, há uma batalha desigual e de grande extensão contra eles. Estão invadindo a sua privacidade de modo terrificante, cercando-os cada vez mais em guetos, ou, então, amedrontando-os com imagens terrificantes-apostas nos maços de cigarro, de doentes terminais. Falta, para muitos de seus opositores, apenas acender os fornos crematórios. Estão sendo vistos como hereges e, como tal, confinados cada vez mais, a espaços sempre mais reduzidos. Excluídos, no lar doméstico, no trabalho, nos lugares públicos ou particulares, enfim, de todo convívio social. São vistos e não tratados como viciados, mas como caso de policia. Como verdadeiros assassinos de crimes hediondos. Parece “sina de caboclo”: sempre na roça.

Com isso, os verdadeiros crimes vicejam, em larga escala, cada vez mais, pelas cidades e ruas deste país.  Senão, veja-se a poluição, o esgoto a céu aberto, as queimadas, as balas perdidas, a corrupção cada vez mais em alta, os aditivos cancerígenos das balas, doces e outros alimentos comidos pelas crianças, os agrotóxicos, os hormônios e antibióticos nas carnes em geral, as usinas nucleares, a poluição dos rios, riachos, encostas e demais, e crimes outros e mais outros, impunes ou não considerados como tais, ou cuja punição resvala, em sua maioria, ao esquecimento total.

O caso dos fumantes é de todo modo triste senão aflitivo, e sem perspectiva de mudança de solução realmente equânime para todos, porque “a doença é traiçoeira, crônica e recidivante”, como salientou o Dr. Drauzio Varella, no final de artigo seu publicado na Folha de São Paulo, pág. E-12, em 13 de julho de 2002, sob o título “A crise de abstinência de nicotina”.

A paranóia chegou a tal ponto que, possivelmente, para se fumar um mero cigarro, sossegadamente, só indo aos Andes ou aos Alpes. Agora, para se informar sem rancor, exigindo apenas uma leveza na escrita do texto, leia, no Caderno de Esportes, da Folha de São Paulo, pág. D5, de 27.11.2011, a crônica “Grito de campeão”, do Sr. Juca Kfouri. Ou, então, veja o filme “Sobre Café e Cigarros”, de Jim Jarmusch. E mais, se delicie com os poemas “Pronominais” e “Relicário”, de Oswald de Andrade, Poesias Reunidas (Ed Civilização Brasileira. / Círculo do Livro):

Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Relicário
No baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvínda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí

Agora se quiser saber mais sobre a vida aflitiva dos fumantes ou dos quase não-fumantes leia a seguir a crônica do Veríssimo, sob o título de “Fumante” publicada, em 27 de Julho de 2003, no jornal “Estado de S. Paulo”, em seu Caderno 2/ Cultura:
                                             *
Fumante
 - Fumante ou não fumante?
- Não fumante.
- Por aqui, por fav…
- Espere.
- Pois não?
- Fumante.
- Como?
- Eu sou fumante. Era, Sou. Estou tentando parar.
- Muito bem. Fumante, então?
- É. Não! Eu preciso parar. Os outros vão estar fumando e vai me dar vontade. Melhor ficar com os não fumantes. Assim não fumo. Não por firmeza de caráter, mas por medo dos protestos. Não fumantes. Isso, Pronto.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Muito bem. Mesa para um, na seção de…
- Espere. Eu não vou aguentar. Fumante, fumante. Estou há quase duas semanas sem fumar. Nunca fiquei tanto tempo, das outras vezes que parei. Sinto que vou recomeçar hoje. Fumante. Definitivamente fumante.
- Muito bem. Siga-me por fa…
- Espere.
- Sim?
- Não tem uma seção mista?
- Não, cavalheiro. Eu…
- Deveria haver um salão só para os indecisos. Para os que pararam, mas poderiam ter uma recaída a qualquer momento.
- Infelizmente…
- Uma espécie de purgatório, para os que merecem o inferno, mas também merecem uma oportunidade de arrependimento e salvação. Por que não uma seção para não fumantes com sursis? Para semi-fumantes? Com direito a, no máximo três cigarros?
- Infelizmente…
- Dois?
- Nós só…
- Um! Depois do cafezinho!
- Só temos duas opções, cavalheiro. Fumante e não…
- Mas isso é de um radicalismo atroz. Então a pessoa tem que ser uma coisa ou outra? Assim, pá-pá? Fumante ou não fumante? Onde fica o meio-termo. A conciliação? A terceira via? O…
- Por favor, largue as minhas lapelas, senhor.
- Desculpe. É que certas coisas me deixam indignado. Isso é pura discriminação, está entendendo? Pura e odiosa discriminação Por que só fumantes ou não-fumantes? Por que não os que falam alto e os que falam baixo? E se eu não quiser ouvir o que estão dizendo na outra mesa? Tem conversa de outra mesa que é pior que fumaça de cigarro, está me entendendo? Tem conversa dos outros que dá câncer secundário.
- Largue as minhas lapelas, por favor.
- E o celular? O que você me diz do celular? Por que não uma seção só para quem tem celular e outra para quem não tem? Não existe nada pior do que ouvir conversa de celular alheia. Se a gente ao menos pudesse ouvir toda a conversa! Mas não, ouve só uma parte. E sempre a menos interessante. Esquece cigarro. Eu quero a seção sem celular.
- Controle-se.
- Me controlar, como?! Eu estou há quase duas semanas sem fumar. Você se controlaria, se estivesse há quase duas semanas sem fumar?
- Eu não fumo.
- Eu também não! É por isso que estou desse jeito!
- Por que o senhor não fuma um cigarro antes de comer? Para se acalmar? Eu reservo a mesa, o senhor fuma um cigarro, entra na seção de não-fumantes, come, e se der vontade de fumar outro, depois do cafezinho por exemplo, sai e…
- Boa idéia. Aliás, grande idéia.
- Obrigado.
- Você está me propondo a hipocrisia. Está propondo que eu esqueça meu juramento de não fumar nunca mais, nem que seja só por três semanas. Você está me acusando de inconstância.   Me chamando de abjeto, fraco, desprezível, autodestrutivo e louco.
- De maneira nenhuma, cavalheiro. Eu…
- E tem toda a razão. É o que eu sou. Um verme. Está bem, fumante. Você venceu. Me leve para a seção dos fumantes.
- Antes disso…
- O quê? O quê?
Largue as minhas lapelas.
                                             *
Bem, Dr., acho que por ora é só. Já estou estressado e não fumo.
Abraços, sem a divina fumaça que divaga
Mário Inglesi 29.11.11

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

LER, LER, LER, VIVER A VIDA



 Un libro se suicida cada vez que te conectas a Tele 5



Ler, ler, ler, viver a vida

que os outros sonharam.

Ler, ler, ler, a alma se esquece

das coisas que passaram.

Restam as que ficam, as ficções,

As flores de uma caneta

As ondas, as humanas emoções,

O decantar da espuma.

Ler, ler, ler serei leitura

amanhã também eu?

Serei meu criador, minha criatura,

Serei o que passou?

Miguel de Unamuno