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quinta-feira, 7 de março de 2013

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



Dr. Ricardo

Atendendo aos reclamos da brava torcida organizada, que atualmente vive em estado de latente desespero em razão de sérios acontecimentos em campo, ouso alinhavar abaixo algumas linhas de reflexão para acalmá-la, atendendo ao fato de referir-se à maior regente do império dito masculino - nossa amada imortal: a Mulher. 




“Dia Internacional da Mulher”: 08/03/2013

O Dia Internacional da Mulher, em homenagem e comemoração às mulheres e suas conquistas, fica muito aquém do merecido pelas mulheres por sua faina diária, em duplas ou triplas jornadas de trabalho, em prol delas mesmas, mas também em favor dos filhos, do marido e de possíveis outros agregados ao seu clã familiar.

Mas, também é preciso convir que as mulheres são de natureza física humana especial e pouco tem a ver com a natureza dos homens. Haja vista que a mulher menstrua, e muitas vezes sofre por isso e, como se não bastasse, ainda gera e pari filhos, cujos cuidados invariavelmente ficam a seu cargo, a começar pela amamentação.

Para se ausentar desses mil afazeres, apregoam que a mulher use a famosa “pílula anticoncepcional”, e, aí estará livre para usar e usufruir de sua sexualidade.

Isto é idealização, pois, ao que se saiba, as tais pílulas além de outros males, também provocam em muitas de suas usuárias AVCs que as levam a problemas ainda mais graves com sequelas, quando não à morte prematura.

Então, no quesito de satisfação de sua sexualidade, os prognósticos são irrisórios, quando não, amedrontadores.

Mas, mesmo que as pílulas não lhes tragam problemas, o tal preservativo para os homens, também pode falhar e furar. Ou, então, se aquela contagem a partir da última menstruação, não foi correta, pronto, tudo vai por água abaixo, e a gravidez vem à tona, e aí, a situação fica preta, ou como dizem alguns, no mato sem cachorro, pois o aborto é criminalizado, com exceção para as classes mais altas, e, se teimarem em fazê-lo em clínicas clandestinas ou por métodos de infalibilidade precária, a mulher tem de suportar todas as agruras em sua saúde e sua sexualidade.

Por outro lado, se resolverem não atender aos apelos de sua sexualidade, tem que suportar a pecha de “tias solteironas” ou então apelarem para formas diferentes de atendimento à sexualidade e isto as torna mal vistas e, quiçá, excluídas pela sociedade, como mulheres pecaminosas ou de má fama.

Se, pertencerem, então, às classes inferiores, e, abandonarem seus recém–nascidos em lugares inapropriados, eis que, embora atormentadas por culpas e remorsos por tais feitos, se descobertas, ainda têm de amargar e amargurar um sistema prisional e um processo, que lhes marcarão pela vida toda, de modo irreversível.

Agregado a isso, a gravidez precoce a alterar-lhes todo e qualquer sonho de vida futura, e a AIDS a aterrar-lhes como estigma social, de transmissão viral possível e, como tal, indesejável. No campo econômico e trabalhista, as mulheres ainda têm muito a reivindicar. A começar pela paridade de vencimentos com os homens, quando exercem o mesmo trabalho.

De toda forma, a mulher e a sua saúde continuam em jogo nesse tabuleiro de injustiças sociais, onde predomina ainda contra elas o direto dos homens a sua posse e a sua vida, em que pese todas as delegacias das mulheres e as inúmeras queixas registradas, elas continuam morrendo, sob formas as mais esdrúxulas de violência e morticínio.

Com tudo isso, as mulheres ainda têm muito pouco a comemorar no seu dia, mas, e isto sim, a reivindicar, deblaterar e gritar em alto e bom som em defesa de seus direitos e em favor de sua saúde, sexualidade e vivência, sem competitividade, sem resquícios de vingança ou mal- querença.   Afinal, se algum mal lhes for atribuído que tenham não só o direito de se defenderem como de usarem da maior liberdade de fazê-lo, em defesa e benefício próprios.

Para isso, é preciso encarar de vez, sua situação feminina, num mundo prioritariamente masculino e machista e deixar de lado aquele romantismo ingênuo, na procura do príncipe encantado, no afã de casamento em maio: mês das noivas, e, principalmente afastar-se de todo aparato inócuo que prefigura o ato do casamento com a busca inarredável de uma felicidade duradoura e eterna, propagada pela mídia, em prol do merchandising de compra e venda de produtos, os mais profundamente supérfluos e de inútil adequação, para um viver partilhado amorosamente.

Quanto a nós, homens, só nos resta, como Vinicius de Moraes, declarar, sem pejo, mas em mãos postas em prece, como em contrição:

“Eu sem você
Não tenho porque
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar.
Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor.
Tristeza que vai
Tristeza que vem.
Sem você meu amor, eu não sou ninguém”

Mário Inglesi

sexta-feira, 1 de março de 2013

SOBRE A LUZ I - VENTO SOLAR E AURORAS

Por:
- Maria Paula Teixeira de Castro - Bacharel e Licenciada em Física pela USP
- Ricardo José de Almeida Leme - (Aluno)




Representação esquemática: Vento Solar e efeito sobre a Terra
 

De tempos em tempos o Sol emite radiações em grandes quantidades após explosões gigantescas que ocorrem em sua superfície. As manchas solares, que correspondem às regiões destas explosões, vêm sendo sistematicamente observadas e estudadas desde a época de Galileu Galilei.  Tais explosões, lançam no espaço uma enorme quantidade de partículas formando o que se chamou de vento solar. Ao atingir a Terra, este atua sobre ela, modificando seu campo magnético. O espetáculo de tal interferência pode ser observado por nós, na superfície da Terra, nas regiões próximas aos pólos. Ali, a maravilha das auroras austrais e boreais coroam de beleza os extremos do planeta “água”.





A luz transmite informações quantitativas sobre distâncias de planetas assim como suas qualidades astronômicas que envolvem cores, albedo, velocidade de rotação, translação, informações no campo da ciência convencional, até informações que nos impulsionam para o imaginário qualitativo mitológico com seus simbolismos peculiares. Claudio Ptolomeu foi o cientista que primeiro organizou e compilou tudo o que até então era conhecido sobre a astronomia e sobre a astrologia, em duas grandes obras, respectivamente o almagesto e o tetrabiblos, referências históricas importantes e consultadas nos dias de hoje.

Nestes tempos em que o sol está com sua atividade aumentada, conforme notícias recentes, uma pérola compartilhada por uma amiga física, sobre o campo magnético terrestre, suas anomalias e seu efeito sobre as radiações provenientes do Sol de nosso sistema solar, se segue:



Anomalia Magnética no Atlântico Sul

Maria Paula Teixeira de Castro - Bacharel e Licenciada em Física pela USP

O estudo das forças da natureza é dividido atualmente, pela ciência, em quatro partes, cada qual relacionada a uma das quatro forças que hoje se atribui existência: Gravitacional, Eletromagnética, Nuclear Forte e Nuclear Fraca.

A força eletromagnética é estudada pelo eletromagnetismo, que trata da interação entre as cargas elétricas e magnéticas. Um exemplo corriqueiro do eletromagnetismo são os imãs. Dentro do estudo do eletromagnetismo existe uma parte, que se refere ao magnetismo da Terra, o planeta em que vivemos, o chamado geomagnetismo. O magnetismo terrestre ou geomagnetismo pode ser facilmente constatado através do uso de uma bússola, a qual sempre aponta para os pólos norte-sul do campo magnético em que se encontra. A bússola sempre foi um instrumento comprovadamente útil, orientando o homem na Terra em suas incríveis jornadas, graças à particularidade de orientação do campo magnético terrestre.

Entretanto esse campo varia de intensidade ao longo da superfície terrestre e a bússola não é capaz de medir essa variação, ou seja, indicar onde ele é mais forte ou mais fraco. Para isso precisamos de um instrumento mais moderno chamado magnetômetro.

Essa variação é objeto de estudo dos astrônomos, geofísicos e biólogos. Os primeiros, para estudar interferências nas radiocomunicações com satélites e naves espaciais que enviamos para o espaço; os segundos para tentar chegar às origens do magnetismo terrestre, ignorada até hoje; e os últimos para explicar o comportamento de certos seres vivos em relação a esse campo. Pesquisas recentes mostram que alguns animais se utilizam desse magnetismo para se orientar, como se tivessem bússolas internas. É o caso dos pombos correio, das formigas e de algumas bactérias. Isso é realmente incrível, pois a intensidade do campo magnético terrestre é cerca de 20 vezes menor do que o de um imã de geladeira!

O curioso é que esse campo magnético da Terra, apesar de muito parecido com o de um imã gigante, não é uniforme, como seria o de um imã, ele varia de intensidade conforme o lugar e a época. Há grandes regiões uniformes e pequenas regiões que formam verdadeiros “buracos”: as chamadas anomalias magnéticas. Uma delas é a região que abrange os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e parte do Oceano Atlântico, a chamada Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS). Na AMAS a intensidade do campo magnético terrestre é menor do que a metade da intensidade encontrada nas outras regiões.

Mas qual seria a conseqüência disso? Bem, a atmosfera da terra, essa enorme capa de partículas que envolve nosso planeta, é  formada por várias camadas com características distintas. Quanto mais longe da superfície terrestre, mais rarefeito se torna o ar, pois a gravidade vai diminuindo, até que chegamos ao meio interestelar. (O grande espaço que há entre os corpos celestes não é realmente vazio, mas sim preenchido por gás e poeira com uma densidade muito baixa: aproximadamente 1 átomo por centímetro cúbico. Isso é, 30 quintilhões (30.000.000.000.000.000.000) de vezes menor do que próximo da superfície terrestre!)

As camadas da atmosfera possuem, portanto, características específicas. A mais externa delas possui partículas carregadas chamadas de íons, que são partículas eletricamente carregadas. Sendo assim, esses íons são altamente influenciados pelo magnetismo terrestre. Nas regiões de maior intensidade do campo magnético, esses íons formam como quê um “escudo” protetor. Por isso podemos imaginar que em volta da Terra há uma verdadeira capa que protege a superfície terrestre da ação dos raios vindos do cosmo, principalmente aqueles vindos da nossa estrela mais próxima, o Sol.

No entanto, nas regiões de menor intensidade como a AMAS, haveria maior penetração dos raios cósmicos uma vez que ali os íons não formariam um escudo protetor. É de se supor, portanto, que nessa anomalia magnética sob a qual está o Brasil, seus habitantes estariam sujeitos a uma maior intensidade de raios cósmicos!! Isso pode trazer conseqüências diversas para todos os seres vivos que habitam a região bem como para o clima. Fica ai a sugestão de um estudo sistemático das variáveis que poderão evidenciar tais efeitos.

PANACEIA – POR UM ASTRÔNOMO




Os Sete Eus - Gibran Khalil Gibran


Panaceia é o nome grego da deusa que contém em si o potencial de cura para todos os males. Cura e consciência, irmãs gêmeas que o poeta consulta e transforma em medicina para a alma e para o espírito, para o Ser.
Compreender o abismo que separa as religiões e suas instituições, dos luminares humanos que irradiaram em suas vidas conteúdos espirituais é fundamental para um caminhar saudável. Quem não percebe este abismo, corre o risco de colocando tudo em um mesmo saco, deixar de se nutrir da seiva da mensagem, por confundi-la com sua aparência, determinada pelos recipientes que se apropriaram de sua essência, como máscaras que usadas por um tempo longo, se colam deformando a face da verdade. Verdade que para Drummond era assim:

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
 

Abaixo um pequeno texto de Gibran Khalil Gibran – Fragmento de “Jesus O filho do homem” em que Malaquias da Babilônia, um astrônomo, fala dos Milagres de Jesus...

            Perguntas-me sobre os milagres de Jesus.
            Cada milhar de milhar de anos, o sol e a lua e a terra e todos os seus planetas irmãos postam-se numa linha reta, e conferenciam juntos por um instante.
            Depois, lentamente se dispersam e esperam que passe outro milhar de milhar de anos.
            Não há milagres além das estações; entretanto, nem vós nem eu conhecemos todas as estações. E que seria se uma estação se fizesse manifesta na forma de um homem?
            Em Jesus, os elementos de nossos corpos e de nossos sonhos ajuntaram-se de acordo com a lei. Tudo o que era perdido no tempo antes Dele, Nele encontrou seu tempo.
            Dizem que Ele deu vista aos cegos, e fez andar os paralíticos, e arrancou demônios dos loucos.
            Talvez a cegueira não passe de um pensamento escuro que pode ser dominado por um pensamento luminoso. Talvez um membro paralítico não signifique senão uma indolência que pode ser estimulada pela energia. E talvez os demônios, esses elementos inquietos de nossa vida, possam ser expulsos pelos anjos da paz e da serenidade.
            Dizem que Ele trouxe os mortos à vida. Se me puderdes dizer o que é a morte, então eu vos direi o que é a vida.
            Observei num campo uma bolota, uma coisa aparentemente parada e sem utilidade. E na primavera, vi aquela bolota criar raízes e crescer – princípio de um CARVALHO – na direção do sol.
            Certamente consideraríeis isso um milagre; entretanto, tal milagre se realiza um milhar de milhar de vezes na sonolência de cada outono e na paixão de cada primavera.
            Por que não se realizará ele no coração do homem? Não se encontrarão as estações na mão ou sobre os lábios de um Homem Ungido*?
            Se nosso Deus deu à terra a arte de abrigar a semente enquanto a semente está aparentemente morta, por que não daria ao coração do homem soprar a vida em outro coração, mesmo um coração aparentemente morto?
            Falei desses milagres que eu considero de pouca consequência em comparação com o milagre maior, que é o Próprio Homem, o Viajante, aquele que converteu minha escória em ouro, que me ensinou a amar os que me odeiam, e assim me trouxe consolo e povoou meu sono de sonhos suaves.
            Esse é o milagre em minha própria vida.
            Minha alma era cega, minha alma era coxa. Eu era possuído por espíritos inquietos, e estava morto.
            Mas agora vejo claramente, e caminho ereto. E estou em paz, e vivo para testemunhar e proclamar meu ser a cada hora do dia.
            E não sou um dos Seus seguidores. Sou apenas um velho astrônomo que visita os campos do espaço uma vez por estação, e que gosta de observar a lei e os milagres da lei.
            E estou no crepúsculo de meu tempo; mas quando quero procurar meu alvorecer, procuro a juventude de Jesus.
            E para sempre, a idade procurará a juventude. Em mim, agora, é o conhecimento que está à procura da visão.
           
* - Do grego - "Χρίστος", Chrístos = Ungido