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terça-feira, 21 de outubro de 2014

LEMBRANÇAS


POR: MÁRIO INGLESI
Dr. Ricardo
 Lembranças! Ah, as lembranças...

Elas, muita vezes nos preenchem o viver, ainda que fragmentadas ou romantizadas, ou ainda, decupadas conforme interesses em revelá-las inteiramente, ou não, nas conversas em eventos, familiares ou domésticos.
Em um dos sábados deste mês, sem ter algo que lhe chamasse a atenção na TV, ele resolveu rever o maravilhoso filme dos Irmãos Taviani: Pai patrão (1977), baseado no livro autobiográfico de Gavino Ledda de (1975).
O que mais lhe chamou a atenção nessa empreitada foi fixar-se na figura imagética do pai do menino, embora o chamariz no filme, fosse na sua prática de força e violência em tratar o filho.
Como essa maneira de ser do pai já tinha sido vista, o olhar fixou-se na totalidade da figura do pai. E, isto porque, lembrara-lhe em todos os detalhes, a imagem do seu avô paterno, Francisco, com sua camisa branca, de mangas compridas e abotoada inteiramente até o pescoço; seu colete, paletó e calças da cor preta, como uma figura lendária da baixa Itália, de onde viera para o Brasil, como imigrante, em tempos idos, com o intuito, possivelmente, de melhorar de vida, já que, embora soubesse bem as quatro operações e a tabuada, era analfabeto, só sabendo bem, lidar com seus animais, em prol do sustento da família.
Essa fixação do filme, termina por aí.
Embora ensejasse novas e boas recordações reverenciadas, todavia, ficou-lhe por último, um trágico “por quê”.
O vô Francisco, falava apenas em italiano, salpicado de apenas algumas palavras em português. Com isso, insuflou - ao neto -, garoto na época, o gosto pelo linguajar italiano, assim como pelas cançonetas italianas e as belas e requintadas óperas de Verdi e Puccini e, outros autores menos aplaudidos, mas de repertório não menos conceituado.
Afora esse arcabouço, é bastante significativo lembrar o seu carinho para com os netos, em particular para com ele, - lembrava dele então - ainda que de convivência bastante curta, pois só nos últimos anos de vida, veio morar em sua casa.
Isto deu-se, em razão da asma e dos cuidados que o avô requeria para uma continuidade de vida regular, inclusive de dispêndio só compatível financeiramente à situação em que se encontravam então.
Durante todo esse tempo, quem ficava com ele diariamente fazendo-lhe companhia, era ele, seu neto, o que lhe rendia, de vez em quando, algumas moedas, sofregamente guardadas num cofrinho de barro, em formato de porquinho.
Nesse dia a dia, a vida perseguia sua caminhada rotineira, até que, um dia, tal sequência de compartilhamento não foi obedecida.
Para desgosto de todos, e culpa do menino neto, no dia seguinte, logo de manhã cedo, viu-se o pai muito alvoroçado, em prantos e com lágrimas que lhe cobriam os olhos e a face, revelar que o vovô, o querido vô, havia falecido.
A culpa bateu de frente no menino, e de maneira profunda, pois no dia anterior não quisera cumprir a rotina estabelecida de fazer-lhe companhia.
Assim, a única alternativa foi convalescer na cama, até a chegada do médico da família. Este, após atestar o óbito para as demais providências do velório, que então se realizava na própria casa, na sala toda engalanada de preto para a tal celebração, a pedido de seu pai, foi até o menino para auscultar a sua fragilidade, e, possíveis consequências diante do ocorrido.
Nada encontrando, além do seu abatimento, levou-o para ver a derradeira imagem do seu avô. Não se assustou, nem fez qualquer menção de choro ou de tristeza.
Hoje, ao relembrar isso, só se atém ao questionamento insondável, do porquê não fizera, no dia anterior a sua morte, a companhia rotineira que fazia ao querido avô, pai e, talvez, em outros tempos, também patrão, como o do filme.
Mas, o que fazer? Ficou a recordação, a saudade. Aliás, como declara o poeta Mário Quintana (1906-1994):

“O tempo não para, só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo”.

Ou, como reflete a poetisa Florbela Espanca (1894-1930) em seu poema ‘Saudade”:

Esquecer! Pra quê?… Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Poder-se-á também, em última instância, dizer ainda, de viva voz que, lembrar, recordar, ter saudade, são atos benfazejos de saúde consciente. E, porque não? Afinal, são prazerosos e sempre bem vindos.
Com tudo isso, é ver, rever, alçar voos e inteirar-se do que já passou, ainda que fragmentariamente, ou de cortes inevitáveis em prol do que é bom de ser lembrado. Na roda da vida, lembranças viram saudades, “estórias”, histórias” e sentimentos alvissareiros ao bom viver, tal como uma “Folha Dobrada” como lembra o título do livro do professor de Direito da USP, Goffredo da Silva Telles Jr. (16.5.1915 - 27-06-2009) e autor também da célebre “Carta aos Brasileiros”, em favor do restabelecimento do Estado de Direito no País.
Portanto, lembrar, relembrar e revestir em palavras, sentimentos e situações, é consignar um pedaço, por menor que seja, de uma vida bem vivida, a serviço de um agir seguro e bem direcionado, no enfrentamento dos riscos e embates futuros.
Mário Inglesi

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

ALIMENTAÇÃO CONSCIENTE V

Continuação de: Alimentação Consciente I
                         Alimentação Consciente II
                         Alimentação Consciente III
                         Alimentação Consciente IV



Hoje é o dia mundial da alimentação e se comemora a criação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO – Food and Agriculture Organization). O objetivo desta instituição, de certa forma meu também, é trabalhar como agente promotor de consciência sobre questões relacionadas à fome e à pobreza alimentar. Em 2014, o tema eleito pela FAO é algo que esquecemos há muito: “Agricultura Familiar – Alimentar o Mundo, Cuidar do Planeta”. O SESC São Paulo promoverá até o final deste mês inúmeros encontros de profunda relevância em várias de suas unidades no sentido de trazer maior qualidade ao nosso entendimento sobre a questão alimentar (Acesse aqui programação SESC Dia Mundial da Alimentação).

Enquanto isso o blog Saúde é Consciência prossegue incansável, a passos de formiga, em sua missão de trazer à tona questões alimentares de fundamental importância que por algum motivo nos escapam aos olhos.

Referencial primordial a todo brasileiro interessado em alimentação saudável é o Professor Sidney Federmann, médico nutrólogo e expoente de envergadura gigante entre os cientistas que estudam a nutrição humana. Sugiro que leiamos tudo o que este senhor nos oferece de material assim como assistamos e divulguemos suas entrevistas e cursos. Sem exagero ou pieguice precisamos homenagear nossos gênios enquanto eles estão vivos ao invés de correr atrás do prejuízo...

Alimente-se com sabedoria em: http://www.sidneyfedermann.com.br/

Pinço, dentre as pérolas em alimentação, a questão de altíssima relevância dos pães ditos integrais. Quando passei a ler os rótulos dos pães de forma integrais me dei conta que nas pequenas linhas dos componentes a maioria deles apresentava apenas uma pequena quantidade de farinha integral e uma grande quantidade de farinha conhecida como enriquecida! Hoje sei que os pães de fato integrais são aqueles que fazemos em casa com farinhas integrais e apenas uma porção muito reduzida dos pães oferecidos no mercado – não acredite apenas porque escrevo, confira você mesmo!

Dê preferência a pães onde se lê “100% integral” ou “Todo integral”, mas leia o rótulo mesmo assim! Estes pequenos atos podem levar a profundas modificações no comportamento do fabricante.

A alimentação é a pedra angular da medicina da saúde; é importante perceber que nos alimentamos várias vezes ao dia e que se não cuidarmos na excelência do que ingerimos, estaremos cultivando o adoecimento. Um dos melhores planos de saúde que você pode fazer é o plano alimentar, pense a respeito!

Existe um real movimento de partilhar material e conhecimento, no entanto ainda é preciso que nos esforcemos mais no quesito amor e desapego para que situações inusitadas e lamentáveis como a ocorrida com o documentário “Famintos por Mudanças” não ocorram: http://youtu.be/IpvlvkoVGwg.

Enquanto “Famintos por Mudanças” se prepara para ir às telas dos cinemas no mundo todo, vamos assistir esta modesta reportagem alerta aos benefícios dos pães verdadeiramente integrais:



Lembre-se sempre às refeições que uma pessoa refinada é aquela de modos agradáveis, fina, atenciosa e prestativa; já um alimento refinado eventualmente já foi integral e o refino pode mesmo ter empobrecido suas qualidades! Bom apetite para todos nós!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A IDADE DO RUÍDO – ALDOUS HUXLEY

POR: ALDOUS HUXLEY - Da obra: "FILOSOFIA PERENE"


Aldous Huxley - Escritor Inglês (1894-1963)

Falada ou impressa, emitida no éter ou em polpa de madeira, toda publicidade só tem um propósito – impedir que a vontade consiga o silêncio. (Aldous Huxley)



            O século XX é, entre outras coisas, a idade do Ruído. Ruído físico, ruído mental e ruído do desejo – temos o recorde histórico de todos eles. E não é de espantar; pois todos os recursos de nossa tecnologia quase milagrosa foram lançados na ofensiva atual contra o silêncio. A mais popular e influente de todas as invenções recentes, o rádio, nada é além de um canal pelo qual o barulho pré-fabricado possa jorrar em nossas casas. E esse barulho vai muito mais profundamente, claro, do que nossos tímpanos. Penetra a mente, enchendo-a com uma babel de distrações – notícias, bocados mutuamente irrelevantes de informação, estrondos de música pomposa ou sentimental, doses continuamente repetidas de dramas que não trazem catarse, mas só criam um desejo de lavagens emocionais diárias e até mesmo horárias. E onde, como na maioria dos países, as emissoras de rádio sustentam-se vendendo tempo a anunciantes, o barulho é levado das orelhas, através das regiões da fantasia, do conhecimento e do sentimento, até o núcleo central do ego, do querer e do desejo. Falada ou impressa, emitida no éter ou em polpa de madeira, toda publicidade só tem um propósito – impedir que a vontade consiga o silêncio. A falta de desejo é a condição da libertação e da iluminação. A condição de um sistema progressivo, tecnologicamente em expansão, de produção em massa é desejo universal. A propaganda é o esforço organizado de ampliar e intensificar o desejo – ampliar e intensificar, isto é, as ações dessa força, que (como todos os santos e mestres de todas as religiões sempre ensinaram) é a causa principal da aflição e da conduta errada, e o maior obstáculo entre a alma humana e sua Base divina. 

O SABER E O SABOR



Continuação de:
 

O fumador diz saber que cigarro faz mal, discordo. Saber é conhecer o sabor e quando alguém de fato sabe algo fazer mal, busca o bem, senão não, não sabe; e se não sabe, ensaboa o sobejo soberano da medicina que escorrega se pensa carregar a pena que cura com amor, quando apenas a cura ocorre após retirado o tumor.
No Brasil, o aborto é crime contra a vida humana e o Código Penal prevê detenção. Fumar é forma perniciosa de abortar a saúde e a vida.
Conforme jornal do CFM (No 235 – Agosto 2014), no dia do combate ao fumo (29/08/14), o Conselho Federal de Medicina deu o sinal de alerta às esferas governamentais sobre a criticidade da situação atual. Na mesma reportagem, o CFM lançou cartilha (download disponível no link abaixo) relacionando as consequências do tabagismo sobre a saúde. Fiquei surpreso ao saber que os cigarros eletrônicos estão aumentando o número de fumadores!
De fato, nem tudo é notícia ruim; sobre ações e dividendos vale uma olhada nos gráficos da CRUZ3.SA de 2004 a 2014, opção a se considerar em seu portfólio. Mas para isso sugere-se evitar o hábito pernicioso, senão os dividendos apenas mitigarão os gastos com o precoce ataúde.
Ainda pior que o hábito de pitar é aquele de jogar a pituca no chão; de certa forma, atentado à saúde pública, além de evidência cabal da insânia e irresponsabilidade que o tragador atingiu. Conforme propaganda recente, não existe lixo pequeno, e as bocas de lobo agradecem o alívio pelas pitucas jogadas no lixo e no cinzeiro do automóvel, por favor.
A seguir, alguns artigos correlatos que adorariam ser lidos: